Campeã olímpica do salto em distância, Maurren Maggi recebeu nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, o prêmio Brasil Olímpico, dado pelo Comitê Olímpico Brasileiro para a melhor atleta do país em 2008. Ela era a grande favorita na disputa contra a judoca Ketleyn Quadros e a taekwondista Natália Falavigna, ambas donas de medalhas de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. A categoria masculina consagrou o nadador César Cielo, também medalhista de ouro na China.
Esta foi a segunda vez que Maurren conquistou o prêmio de melhor do ano. A primeira foi em 1999, na primeira edição do Brasil Olímpico. Na época, Maurren tinha acabado de levar o ouro no Pan-Americano em Winnipeg, no Canadá, e chegou a ser líder do ranking mundial.
Desta vez, a consagração de Maurren chega junto com um reconhecimento da boa temporada que o atletismo nacional teve. Além da saltadora, seu técnico, Nélio Moura, também foi premiado na festa. Ele foi eleito pelo COB o melhor técnico em esportes individuais de 2008, após conquistar dois ouros nos Jogos Olímpicos de Pequim: Maurren no salto em distância feminino, e Irving Saladino, do Panamá, no salto em distância masculino.
A noite do atletismo seguiu, também, nas premiações para os paraolímpicos. O técnico do ano foi Amaury Veríssimo, que trabalhou com os velocistas Lucas Prado e Terezinha Guilhermina. Os dois já tinham sido eleitos, na semana passada, atletas do ano no prêmio Brasil Paraolímpico, do Comitê Paraolímpico Brasileiro – Terezinha também foi eleita nesta noite, agora pelo COB, a melhor atleta paraolímpica do ano. Entre os homens, quem levou a premiação foi o nadador Daniel Dias.
A Maurren que recebeu o Brasil Olímpico pela segunda vez nesta terça-feira é bem diferente da que foi eleita há nove anos. Aos 36 anos, a história da saltadora passou por uma série de reviravoltas, principalmente desde 2003.
Em 2000, ela chegou aos Jogos de Sydney como uma das melhores do mundo, credenciada por um salto de 7,26 m, marca que só foi superada por três saltadoras, todas russas, desde então. Apesar do favoritismo, a brasileira acabou sofrendo uma lesão muscular e fracassou.
A tristeza por Sydney, porém, foi menor se comparada com o que aconteceu três anos depois. Em 2003, quando se preparava para o Pan-Americano de Santo Domingo, ela foi flagrada no exame antidoping devido a uma pomada cicatrizante usada em depilação. Acabou suspensa por dois anos. Só voltou ao esporte em 2006, após ser mãe.
“Quero agradecer ao meu técnico [Nélio Moura] que me fez acreditar que tinha algo reservado para mim depois de 2003, que foi um ano muito difícil. Essa vitória foi para o Brasil, mas é uma vitória muito pessoal, e eu precisava muito disso”, disse Maurren, que fez questão de citar a família e as confederações.
Os resultados voltaram a aparecer e, em 2007, ela conquistou a medalha de ouro no salto em distância nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Era o sinal que a atleta precisava para seguir treinando em ritmo forte para os Jogos Olímpicos. Logo no início de 2008, ela levou a medalha de prata no Mundial Indoor, indício de que a temporada seria boa.
Na China, Maurren ainda contou com a sorte para que seu caminho até o ouro ficasse menos difícil. Nas eliminatórias, a portuguesa Naide Gomes, campeã mundial indoor e líder do ranking da Iaaf, foi eliminada. Na final, em seu último salto, a russa Tatiana Lebedeva ficou a um centímetro da marca da brasileira.