Posts Categorizados ‘Corrida

01
Dez
08

Mais uma morte em corridas

quenianoUm atleta queniano morreu no domingo, enquanto disputava uma corrida de rua em Goiânia. Barnabas Kipkoech, de 28 anos, competia na Corrida dos Carteiros quando sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu ao tratamento, segundo noticiou o jornal O Popular.

O fundista morava a apenas três meses no Brasil, e passou mal ainda durante o percurso. Ele foi socorrido pelos médicos que acompanhavam o evento e levado ao Hospital de Urgências de Goiânia. No entanto, não resistiu.

Segundo o jornal local, o corpo de Kipkoech foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Goiânia para que fossem feitos os procedimentos legais para seu translado. O corpo deve ser encaminhado para Brasília, cidade na qual o atleta vivia no Brasil, ou para o Quênia.

21
Nov
08

Empresas incentivam perda de peso no Espírito Santo

jornal-hojeMatéria interessante do Jornal Hoje.
Bem que a empresa que eu trabalho podia dar um incentivo assim também. Seria muito bem vindo.

17
Nov
08

Assine O2 e ganhe um IPOD Shuffle

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A O2 está de novo com outra ótima promoção.

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06
Nov
08

Artigo – A biomecânica da corrida e a prevenção de lesões

bomecanicaA corrida pode ser considerada, dentro de uma visão simplista, uma série de pequenos saltos de um pé para o outro que se repete por alguns metros a vários kilômetros.
Durante cada aterrissagem do pé no solo o corredor fica exposto a forças de impacto repetidas estimadas em duas a três vezes o seu próprio peso corporal. Aplicando este fato a um corredor de 70 kg de peso, que realiza durante a corrida uma média de 250 aterrissagens por pé por kilômetro percorrido, durante um kilômetro cada pé irá suportar 38 a 57 toneladas de força.
Corredores com média de 60 a 120 km/sem podem expor seu corpo à aproximadamente 16.000 a 32.000 impactos por perna por semana, o equivalente a 2.400 a 7.200 toneladas de força.
Incrível! Como podemos fazer isto? Que máquina perfeita é esta que não só suporta tamanha carga, mas ao mesmo tempo executa o movimento com suavidade? Esta é uma máquina capaz de aprender o movimento, aperfeiçoar seu funcionamento e melhorar seu rendimento.
Este volume de estresse é impressionante para os membros inferiores, o que nos desperta dúvidas sobre a resistência desta “máquina” e a durabilidade de suas “peças”. Nossa “máquina corporal” tem peças vivas com capacidades variáveis de reparação e de regeneração.
A biomecânica da corrida é complexa e compõe de muitas variáveis mecânicas capazes de explicar como o corpo consegue administrar tamanho estresse. A posição do pé na aterrissagem da corrida, o comprimento e freqüência das passadas, os ângulo de flexão do joelho durante a fase de apoio (contato do pé no solo) e a posição das articulações do pé e tornozelo são alguns dos exemplos destas variáveis.
Cada uma destas variáveis tem seu valor nas forças que agem sobre o corpo durante a corrida. Qualquer mudança na aplicação destas variáveis mecânicas resultará na modificação das forças de reação do solo sobre o organismo, acarretando mudanças na corrida.
Devemos lembrar que alguns movimentos são próprios do ser humano, mas devem ser aprendidos e aperfeiçoados para um melhor rendimento, evitando complicações a médio e longo prazo.
A técnica interfere na forma do movimento e o modifica para cada objetivo traçado. Um corredor de longa distância não suportaria correr uma maratona apoiando apenas nos dedos dos pés e teria conseqüências desastrosas para seus tendões e articulações. Da mesma forma, um corredor de velocidade jamais atingiria sua velocidade máxima realizando uma corrida com apoios dos pés semelhantes a um maratonista.
O que nos espera no futuro próximo com os avanços dos estudos em biomecânica aliada à fisiopatologia das lesões (origem e funcionamento das lesões) é uma melhor compreensão dos movimentos humanos nas condições reais, assim como das capacidades de suportar e administrar cargas durante a vida.
A visão do corredor e de quem estuda os aspectos envolvidos nas ciências da corrida deve ser ampla, mas criteriosa. Observe melhor a sua corrida, melhore sua técnica e corrija sempre seus erros.
Boa corrida !

05
Nov
08

Os negros estão ganhando todas as corridas

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Nas Olimpíadas de Pequim, os negros dominaram as corridas, tanto no feminino quanto no masculino. Ganharam dos 100m rasos à maratona.

Na Fórmula 1™, o Hamiltom foi campeão.

E agora, na corrida presidencial dos EUA, Barack Obama venceu. E com larga vantagem.

Tá no sangue.

05
Nov
08

Brincar como criança pode ser melhor que correr

criancasbrincandostock3691

Esqueçam todas as planilhas, abandonem os treinadores, joguem seus tênis fora… e vão brincar de pega-pega.

Brincar e correr como criança pode ser melhor do que praticar exercícios tradicionais, como corrida e ciclismo, sugere uma pesquisa da Universidade de Glamorgan, no País de Gales.
Segundo os pesquisadores, correr vigorosamente por 30 segundos pode ser tão benéfico para a saúde como praticar sessões de uma hora de exercícios cinco vezes por semana.
Cientistas da Universidade de Glamorgan, em colaboração com a Universidade McMaster, no Canadá, estão examinando os benefícios potenciais de exercícios de alta intensidade e como podem ser empregados no tratamento de doenças cardiovasculares.
Os cientistas afirmam que, no País de Gales, apenas 29% dos adultos praticam 30 minutos de atividades físicas de intensidade moderada pelo menos cinco dias por semana.
Segundo os pesquisadores, sessões rápidas de brincadeiras podem ser mais fáceis de seguir do que a prática regular de exercícios tradicionais.
“Seis baterias de 30 segundos de corridas vigorosas três vezes por semana podem trazer os mesmos benefícios para a saúde e a redução de peso do que correr ou andar de bicicleta em intensidade moderada por 45 minutos várias vezes por semana”, diz o professor Julien Baker, um dos autores da pesquisa.

Praticidade
De acordo com Baker, corridas de 30 a 100 metros, com duração de 30 segundos, e intervalos de quatro minutos para descanso, têm resultados positivos para a saúde.
“Programas de alta intensidade são muito mais fáceis de executar e mais práticos de seguir. Para crianças que estão acima do peso ou são obesas, pode ser melhor seguir um programa de exercícios de alta intensidade durante um período curto”, afirma Baker.
“Esse tipo de atividade também pode agir como uma defesa contra doenças cardiovasculares, e pesquisas em laboratório demonstraram reduções significativas de pressão arterial após os exercícios”, diz o cientista.
“Essas descobertas indicam que a prática de exercícios intermitentes pode trazer benefícios similares àqueles proporcionados por sessões mais longas de exercícios moderados no tratamento de hipertensão”, afirma Baker.
Segundo o cientista, são necessárias mais pesquisas para compreender totalmente os mecanismos envolvidos na obtenção do máximo de benefícios dos exercícios de alta intensidade e como isso pode ser usado no tratamento de pressão alta.
“O aspecto empolgante desse tipo de exercício é que pode ser praticado em qualquer lugar e não precisa de equipamentos sofisticados ou roupas caras”, diz Baker.
Segundo o instrutor de ginástica Sebastian Navarro, que é ex-oficial do Exército, a idéia da pesquisa segue o mesmo princípio de alguns exercícios seguidos por militares.
“É um treinamento em intervalos. É muito útil para a maioria das pessoas, porque poucas vão conseguir fazer uma hora ou uma hora e meia de treinamento constante”, diz Navarro.
“A maioria das pessoas faz algum tipo de exercício intenso e rápido, como correr para pegar um ônibus. É uma boa maneira de treinar e ainda incentiva as pessoas a se divertirem – o que sempre é bom”, afirma Navarro.

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18
Out
08

Treinamento Especial da Resistência Muscular na Preparação Esportiva dos Corredores de Fundo Especialistas na Distância de 10.000 M

Marcelo Augusti
CREF 006263 G / SP
Especialista em Fisiologia do Exercício (UNIFESP)
Especialista em Treinamento Desportivo (UNIFESP)
Diretor Técnico da Associação dos Corredores de Bragança Paulista / MR.Running
Contato: marceloaugusti@uol.com.br

RESUMO

A resistência muscular é a capacidade condicionante que determina o nível de preparação esportiva nas corridas de longas distâncias, sendo que o seu desenvolvimento específico ocorre por meio das tarefas do treinamento especial, que é caracterizado pelo regime de trabalho muscular em condições especiais. O aumento e manutenção de um elevado nível de velocidade de deslocamento às custas da alta capacidade oxidativa das fibras musculares ao exercício intenso e duradouro constitui o objetivo principal do LPET, onde a combinação racional do trabalho de força muscular e resistência cardiorrespiratória provoca as adaptações estruturais e fisiológicas nos sistemas orgânicos para a manifestação da resistência muscular nas condições específicas da competição. O artigo em questão aborda as implicações da resistência muscular no desempenho dos corredores de fundo e uma proposta de metodologia que assegure o desenvolvimento eficaz das condições especiais de treinamento com a conseqüente ampliação da capacidade do rendimento esportivo.

INTRODUÇÃO

Atualmente, a construção da forma desportiva, fundamentada num processo pluri-científico de longo prazo, nos leva em busca de novas estratégias de organização do treinamento e novos meios e métodos de preparação desportiva com maior potencial de estímulos 6.

Nesse contexto, o treinamento especial da resistência muscular deve ser entendido como a conseqüência natural do processo de aperfeiçoamento da forma esportiva e da busca pelo desempenho superior.

A partir da constatação da estabilização do VO2max nos corredores de fundo, mesmo após a aplicação de cargas de treinamento que alcançam um alto volume anual, o direcionamento da preparação esportiva nas modalidades cíclicas do desporto de resistência passa a ter como foco principal da pesquisa científica os aspectos da resistência muscular e sua influência no desempenho para as provas de longas distâncias 13.

Os debates à cerca do treinamento de força para o desempenho na corrida, apresentam uma variação de situações, cuja resposta ainda se encontra distante de uma conclusão definitiva.

Esses conflitos teóricos e filosóficos que se apresentam com as discussões sobre o treinamento de força (resistência a ser superada, a intensidade e freqüência do gesto esportivo e a duração do evento competitivo), dificulta a definição científica do que seja o treinamento específico de força e resistência cem regime especial 2.
Para a solução desse problema, foram apresentados os seguintes critérios para a elaboração de um plano de treinamento 11:

  • desenvolvimento dos pressupostos neuromusculares para promoção de uma velocidade de deslocamento elevada;
  • elevação da capacidade de resistência muscular específica por meio da ampliação das reservas energéticas e uma ampla participação das fibras musculares tipo I e tipo IIa;
  • criação das condições necessárias para a melhora do gesto técnico e de seu controle eficiente durante as condições de crescente fadiga;
  • construção da capacidade de mobilização dos atributos psicofísicos em condições de fadiga.

A análise desses critérios técnicos nos direciona em busca de um meio eficaz que estimule ao máximo a capacidade de resistência muscular e rendimento esportivo dos corredores de 10.000m, sendo esse o nosso maior desafio.

IMPLICAÇÕES DA RESISTÊNCIA MUSCULAR AO DESEMPENHO NA CORRIDA DE FUNDO

A resistência muscular depende em grande parte da capacidade do sistema cardiorrespiratório em absorver e transportar o oxigênio para as fibras musculares, em conjunto com a eficiência dessas mesmas fibras em utilizar esse oxigênio para a produção energética, via metabolismo aeróbio 13.

O alto desempenho nas modalidades cíclicas do desporto é a conseqüência direta do talento genético relacionado ao elevado nível da capacidade de resistência muscular, e também ao treinamento especial que atenda o desenvolvimento eficiente dessa capacidade 12.

Há uma transferência positiva da resistência cardiorrespiratória para a resistência muscular, sendo que o potencial motor do atleta é aprimorado a partir da capacidade oxidativa dos músculos, aumentando a velocidade locomotora cíclica, o que determina sua relevância para o ótimo desempenho atlético na corrida de fundo 3,9,12.

Considerando que a resistência muscular depende da interação dos fatores resistência cardiorrespiratória e força muscular para a sua manifestação, observamos que 3:

  • a resistência muscular é observada durante as repetidas contrações musculares que são sustentadas pela alta capacidade oxidativa das fibras musculares durante o exercício intenso de longa duração;
  • a resistência muscular, ao integrar os elementos da resistência cardiorrespiratória e da força muscular, apresenta dois componentes distintos e que se complementam: o componente anaeróbio e o componente aeróbio.

Nesse contexto, a resistência muscular ou endurance muscular local, é a conseqüência de inúmeros processos adaptativos que ocorrem nas fibras musculares, provocados pela aplicação de cargas de baixa a moderada intensidade, com elevado número de repetições correspondentes 8.
Portanto, o objetivo principal do treinamento especial da resistência muscular é aumentar a capacidade de resistir à fadiga de longa duração, melhorando a resistência aeróbia e anaeróbia, que resulta em adaptações específicas no sistema cardiovascular e metabolismo aeróbio local. A conseqüência é o aumento do suprimento de oxigênio e da energia e ampliação da capacidade de remoção do lactato, promovendo uma melhora específica da eficiência fisiológica 3.
A resistência muscular, como fator principal que determina a resistência ao trabalho de longa duração, é desenvolvida por meio da 12:

  • atividade muscular intensa que resulta do aumento da potência aeróbia máxima local;
  • redução do percentual das fibras musculares tipo IIb e aumento simultâneo das fibras tipo IIa;
  • desenvolvimento da capacidade oxidativa das fibras musculares, sendo observada pela menor concentração de lactato sangüíneo após as cargas do tipo aeróbio-anaeróbio;
  • especialização morfológica e funcional das fibras musculares, sendo representada pelo caráter local da adaptação ao treino de resistência muscular, possibilitando uma considerável ampliação da capacidade de ativação do potencial elétrico dos músculos durante o esgotamento;
  • adaptações no sistema cardiovascular a nível local que ampliam as condições das fibras musculares durante o trabalho duradouro. As respostas hemodinâmicas de caráter local e específico que se consolidam muito após o VO2max, somente ocorrem após a aplicação de cargas especiais e específicas, e não por meio do treinamento geral;
  • utilização eficaz e econômica do fornecimento de energia para o trabalho muscular intenso e de longa duração pela ativação do metabolismo dos lipídios (de alto valor energético). Além disso, o metabolismo da glicólise aeróbia ocorre em menor velocidade para um mesmo nível do consumo de VO2max, reduzindo a velocidade do esgotamento das reservas de glicogênio muscular e a formação do lactato;
  • alta potência aeróbia pelo índice do VO2max, pois representa a condição necessária para a oxidação dos lipídios; e do alto índice de limiar anaeróbio, considerado como fundamental para a manutenção da velocidade de deslocamento, sem provocar acúmulos consideráveis dos produtos do metabolismo anaeróbio nas fibras musculares.

A resistência muscular é a condição fundamental que determina o nível de velocidade de deslocamento cíclico nas modalidades de resistência, consistindo no elemento primordial para o desempenho nas corridas de fundo. Sendo assim, o treinamento especial apresenta uma condição específica e fundamental na preparação esportiva.

A preparação para as corridas de longas distâncias deve assegurar o desenvolvimento ótimo das possibilidades genéticas dos sistemas cardiovascular, respiratório e muscular por meio da organização dos meios de treinamento dispostos pelo método conjugado conseqüente, que significa que as cargas precedentes devem criar as premissas fundamentais para a aplicação das cargas posteriores, formando assim a estrutura especial que condiciona o aperfeiçoamento da capacidade orgânica de resistência em nível superior 12.

Isto significa que, anteriormente à aplicação do treinamento especial, a preparação do corredor deve atender as exigências da periodização. A variação dos meios e métodos de treinamento e a distribuição coerente das cargas gerais e específicas, conforme o avançar das etapas da preparação, promovem a elevação da capacidade orgânica e muscular, construindo o cenário ideal para o treinamento especial. Portanto, os treinos em circuito, o cross-country, a corrida em aclive, os saltos  e o trabalho de fortalecimento muscular geral, devem ser realizados anteriormente ao treinamento especial.

Essa aplicação seqüencial e otimizada dos meios de treinamento, provoca as adaptações fundamentais para a elevação do nível da resistência aeróbia, da resistência muscular e da interação racional de ambas, representada pela resistência específica à fadiga de longa duração 4.

O TREINAMENTO ESPECIAL

O treinamento especial que possibilita o desenvolvimento eficaz da resistência muscular consiste em atender a especificidade da preparação em força do corredor de longa distância.

Para o treinamento da capacidade de força que requer o desenvolvimento do componente resistência, o treinamento especial deve corresponder ao caráter específico da modalidade esportiva. Isto significa que a exigência da manifestação da força muscular na atividade competitiva é o resultado da interação das funções orgânicas com o gesto técnico da corrida, desenvolvido por meio de exercícios especiais de competição e pela preparação específica 10.

Como treinamento especial, entendemos como o último estágio da preparação imediata para a competição, que contribui com o maior potencial de treinamento para o desenvolvimento da resistência específica à fadiga de longa duração. Presume a interação ótima da resistência aeróbia com a força muscular, cujo elevado nível da resposta do trabalho muscular em regime especial, determina o desenvolvimento da resistência muscular, provocando adaptações fundamentais nas fibras musculares que promovem a manifestação da resistência específica à fadiga de longa duração.

O treinamento especial, portanto, promove o desenvolvimento paralelo da força muscular específica para o exercício intenso e duradouro (resistência muscular), com a velocidade de deslocamento no âmbito de sua elevação e manutenção.

Para o treinamento especial da resistência muscular, devemos observar os seguintes critérios técnicos 1,3,5,7,14,15:

  • determinar a duração / distância da prova;
  • fracionar essa duração / distância;
  • escolher os movimentos gerais interessantes para a modalidade;
  • elaborar o treinamento alternando o trabalho de força e resistência com gesto esportivo.
  • tensão muscular relativamente baixa;
  • cargas que representam de 10-40% da força máxima obtida pelo teste de 1RM;
  • duração do trabalho muscular de força compreendido entre 5-6 a 2-10 minutos;
  • elevado número de repetições que são realizadas de modo ininterrupto.

A diversidade de situações que se apresentam com o treinamento da resistência muscular (resistência a ser superada, a intensidade e freqüência do gesto esportivo e a duração do evento competitivo), dificulta a definição do que seja o treinamento específico de força e resistência 2.

Para a solução desse problema, foram apresentados os seguintes critérios 11:

  • desenvolvimento dos pressupostos neuromusculares para promoção de uma velocidade de deslocamento elevada;
  • elevação da capacidade de resistência muscular específica por meio da ampliação das reservas energéticas e uma ampla participação das fibras musculares tipo I e tipo IIa;
  • criação das condições necessárias para a melhora do gesto técnico e de seu controle eficiente durante as condições de crescente fadiga;
  • construção da capacidade de mobilização dos atributos psicofísicos em condições de fadiga.

Todos esses critérios servem como orientação técnica para a elaboração da proposta de metodologia de treinamento especial da resistência muscular que aqui apresentamos.

A METODOLOGIA DO TREINAMENTO

Para o treinamento especial da resistência muscular, apresentamos o método de preparação que denominamos de Leg Press Endurance Training (LPET).

O LPET consiste na realização do trabalho de força muscular de caráter aeróbio (endurance muscular), executado no aparelho leg press, alternando esses estímulos com a corrida fracionada em velocidade crescente, sem pausa entre o exercício local e a corrida.  O corredor passa de uma série de exercício para outra sem nenhum intervalo de recuperação.

O exercício no leg press permite a participação de grupos musculares importantes para o rendimento na corrida de longa distância, constituindo-se em um exercício de caráter geral e, ao mesmo tempo, específico, pois trata de desenvolver a resistência muscular à fadiga de longa duração que, como já visto, é fundamental para o sucesso nas provas de fundo.

A orientação da intensidade da corrida será pelos parâmetros da FC nas seguintes condições: de trabalho muscular 14:

  • FC 150-165 (regime aeróbio);
  • FC 165-180 (limiar aeróbio x anaeróbio).

O ritmo de execução no leg press está compreendido entre 60-90 repetições / minuto, realizadas de modo contínuo. A FC deverá estar compreendida entre 130-150, assegurando a manutenção do trabalho de força muscular em regime aeróbio 14.

A carga no LPET está compreendida entre 20-30% da força máxima obtida pelo teste de uma repetição máxima no leg press (1RM).

O LPET, embora necessite de maiores investigações científicas,poderá constituir-se num método confiável para o treinamento da endurance muscular dos corredores de fundo, apresentando-se como uma possível solução para os conflitos teóricos e a prática do treinamento que integram a metodologia da preparação de força dos corredores de fundo na atualidade.

O método LPET tem a sua base teórico-científica fundamentada nos seguintes pontos:

  1. a importância da resistência muscular como capacidade fundamental para a melhora da performance nas modalidades cíclicas do desporto 13;
  2. duração prolongada da série de exercício (número elevado de repetições) e velocidade de execução de moderada a rápida, sendo estes os componentes principais para o desenvolvimento da endurance muscular 8;
  3. interação entre exercício de caráter especial e exercício de caráter específico como modo efetivo para o desenvolvimento da resistência muscular própria da modalidade, sendo este o modo eficaz de aplicação do LPET 5.

Embora os autores citados não discorram especificamente sobre a questão em debate, entendemos que as informações advindas das pesquisas científicas sobre a preparação de força dos corredores, nos possibilitam a idealização de uma pedagogia que seja capaz de promover um novo entendimento metodológico sobre o tema em discussão, atendendo as necessidades específicas do desporto considerado.

O método LPET tem como objetivo o desenvolvimento da resistência muscular específica dos corredores especialista na distância de 10.000m em condições especiais do trabalho muscular, sendo aplicado em uma etapa complementar que denominamos como preparação especial.

Seguindo os critérios técnicos, apresentamos a estrutura fundamental do LPET, com seis variações para serem aplicadas nas sessões especiais do treinamento da resistência muscular (Tabelas I, II, III, IV, V e VI).

Em cada sessão do treino especial o corredor deverá ser estimulado a superar as exigências da sessão anterior, sendo que as sessões apresentam um caráter de contínua evolução. Decorre desse fato, a necessidade de programar treinos regenerativos, pois o LPET exige muita concentração, esforço físico e psicológico e grande dispêndio de energia.

A preparação em regime especial deverá ser realizada durante três semanas consecutivas, com duas sessões semanais destinadas ao LPET, intercaladas com treinos regenerativos e velocidade (fartlek).

Após a aplicação das cargas de treinamento especiais pelo LPET, é necessário um período regenerativo de, ao menos, duas semanas para que se observe o efeito acumulativo posterior do trabalho executado.

Esse período regenerativo tem como propósito a eliminação dos vestígios da fadiga acumulada durante o treinamento especial, preparando o corredor para o dia do evento principal.

O LPET deve ser precedido por uma corrida em ritmo confortável, com uma duração suficiente para efeito de aquecimento para o exercício principal. Ao final, faz-se uma nova corrida, em ritmo suave e em superfície macia seguido de exercícios para relaxamento muscular.

Segue a proposta que apresentamos para a estrutura dos microciclos da preparação especial para a distância de 10.000m (tabela A).

CONCLUSÃO

Em conclusão, podemos afirmar que a resistência muscular é o fator que determina o elevado nível de preparação específica para as corridas de longas distâncias.

Para o desenvolvimento máximo da capacidade de resistência muscular, o treinamento em regime especial de trabalho muscular condiciona o alcance de um elevado nível de preparação.

O treinamento especial, como complemento fundamental da preparação esportiva nas corridas de fundo, apresenta uma combinação racional e superior entre a resistência aeróbia e a força muscular, cujas adaptações decorrentes da integração e interação desses processos, permite o alcance de um elevado nível de resistência específica à fadiga de longa duração.

O LPET estimula o desenvolvimento da “força aeróbia / anaeróbia”, provocando respostas estruturais e fisiológicas que elevam a capacidade oxidativa das fibras musculares a um alto nível de condicionamento específico ao exercício intenso e duradouro.

Ainda que falte o amparo da pesquisa científica que consolide os pressupostos técnicos da metodologia apresentada, lançamos a base teórico-filosófica de uma pedagogia deverás eficaz, constituindo-se em objeto para futuras investigações que possibilitem novos avanços em relação à preparação em força dos corredores de fundo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.AYLLÓN, F.N. Entrenamiento de la fuerza con pesas: cómo determinar la intensidad del esfuerzo y los diferentes tipos de fuerza a entrenar. Revista Digital. v.6, n.29, Enero 2001. Disponível na internet WWW.URL: http://efedeportes.com;

2.BADILLO, J.J.G. e AYESTARÁN, E.G. Fundamentos do Treinamento de Força: Aplicação ao Alto Rendimento Desportivo. Porto Alegre: Artmed, 2001;

3.BOMPA. T. Periodização do Treinamento Esportivo. São Paulo: Manole, 2001;

4.BOMPA, T. Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento. São Paulo: Phorte, 2002;

5.COMETTI, G. Musculation et Natation. Dijon, Université de Bourgogne, 1991;

6.GOMES, A. G., ALMEIDA, H.F. e ALMEIDA, D.C. Aspectos multidimensionais da forma desportiva: uma ótica contemporânea. Revista Treinamento Desportivo. v.5, n.2, p.44-49, 2000;

7.HOLLMAN, W. e HETTINGER, Th.  Medicina de Esporte. São Paulo: Manole, 1989;

8.KRAEMER, W.J. e RATAMESS, N.A. Fundamentals of Resistance Training: Progression and Exercise Prescription. Med. Sci. and Sport Exerc., Vol. 36, No. 4, pp. 674-688, 2004;

9.MARTOS, J.H e MESA, J.L. Como entrenar para mejorar el rendimiento en maratón. Revista Digital. a.7, n.39, Agosto 2001. Disponível na internet WWW.URL: http://efedeportes.com.

10.PLATONOV, V.N. E BULATOVA, M.M. A Preparação Física. Rio de Janeiro: Sprint, 2003;

11.REIB, M. Alienamento ed aumento delia capacitá di resistenzia alia forza. Rivista di Cultura Sportiva, año XI, no. 26, pp. 42-49, 1992;

12.VERKHOSHANSKI, Y. Preparação de Força Especial: modalidades desportivas cíclicas. Rio de Janeiro: Palestra Sport, 1995;

13.VERKHOSHANSKI, Y. Treinamento Desportivo: Teoria e Metodologia. Porto Alegre: Artmed, 2001;

14.ZAKHAROV, A. A Ciência do Treinamento Desportivo. Rio de Janeiro: Palestra Sport, 2003;

15.ZATSIORSKY, V. Ciência e Prática do Treinamento de Força. São Paulo: Phorte Editora, 1999.

16
Out
08

Curso – “TREINAMENTO NEUROMUSCULAR PARA CORREDORES DE MÉDIA E LONGA DISTÂNCIA”

“TREINAMENTO NEUROMUSCULAR PARA
CORREDORES DE MéDIA E LONGA DISTÂNCIA”

Já estão abertas as inscrições do Curso “Treinamento Neuromuscular para Corredores de Média e Longa Distância”. Será um workshop Teórico-Prático, com 8 horas de duração, a ser realizado no dia 29 de novembro no São Paulo Center. A estrutura apresenta um perfil inovador no estilo “Full Concept”. Neste tipo de curso são abordados todos os tópicos necessários para a perfeita montagem de um plano de treinamento. Veja a estrutura do curso abaixo:
Programação:
AULA 1 (8h00 – 8h50) – A Técnica da Corrida de Fundo.

- Aspectos Técnicos do Corrida de Fundo;
- Os Fatores Neuromusculares e suas inter-relações com o desempenho do corredor.
Palestrante: Irineu Loturco Filho
Diretor Técnico da área Neuromuscular da Rede A!Body Tech

AULA 2 (8h50 – 9h50) – O Treinamento Pliométrico.

- Definição e Critérios para a aplicação das Cargas;
- Treinamentos Pliométricos e Economia de Corridas;
Palestrante: Júlio Cerca Serrão
Professor – Chefe do Laboratório de Biomecânica da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo

COFFE BREAK TAEQ (9h50 – 10h20)

AULA 3 (10h20 – 11h10) – Treinamento de Força para Corredores de Fundo.

- Treinamento com Alta Velocidade versus Treinamento contra Altas Resistências
- As Adaptações Neuromusculares Específicas
Palestrante: Irineu Loturco Filho
Diretor Técnico da área Neuromuscular da Rede A!Body Tech

AULA 4 (11h10 – 12h00) – A Utilização da Eletromiografia como Ferramenta para a Seleção dos Exercícios de Treinamento.

- Exercícios de Cadeia Cinética Aberta Vs. Exercícios de Cadeia Cinética Fechada;
- Os Critérios para a Seleção dos Exercícios de Treinamento.
Palestrante: Ronei Silveira Pinto
Professor Adjunto do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
ALMOÇO (12h00 – 14h00)

Palestrante: Irineu Loturco Filho

AULA 5 (14h00 – 15h20) – A Periodização do Treinamento Neuromuscular nas Corridas de Média e Longa Distância.

- Os Ciclos de Treinamento;
- Os Modelos de Periodização;
- O Sistema de Progressão de Cargas;

AULA 6 (1ª PARTE PRáTICA 15h20 – 16h20)

- Os Exercícios com Alta Resistência – Descrição, critérios para prescrição e aspectos pedagógicos da aprendizagem;
- Os Exercícios com Alta Velocidade – Descrição, critérios para prescrição e aspectos pedagógicos da aprendizagem.

COFFE BREAK TAEQ (16h20 – 16h50)

AULA 7 (2ª PARTE PRáTICA 16h50 – 18h00)

- Os Exercícios Pliométricos – Descrição, critérios de seleção e aspectos pedagógicos de aprendizagem;
- A Montagem da Sessão de Treinamento.

29/11
Sábado das 8h às 18h
LOCAL: SãO PAULO CENTER
Valor: R$ 180,00
(Incluso Almoço + 2 Coffee Breaks)
Vagas Limitadas!
Inscrições e informações do evento no site http://www.sdois.com.br/ .
Mais informações: http://mail.google.com/mail/h/1a1owq47r45eo/?v=b&cs=wh&to=contato@sdois.com.br ou pelos fones: (11) 3034-2151 / 7540-2829




 

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