
A fescite plantar é um dos problemas mais comuns em corredores. É uma inflamação na fáscia plantar, um tecido fibroso que recobre toda a sola do pé, do calcanhar aos dedos. É caracterizada por uma dor localizada próxima ao calcanhar, como se houvesse uma pedra sob a sola dos pés. Essa dor é mais intensa nos primeiros passos pela manhã, ou após longos períodos de descanso, melhorando gradativamente com o aquecimento.
Há diversas prováveis causas da fascite plantar, tais como:
- Encurtamento da musculatura da panturrilha
- Musculatura do pé muito fraca
- Pronação excessiva (pé chato, que vira para dentro durante a pisada)
- Tênis inadequados à pisada
- Excesso de peso
Seu diagnóstico é dado após uma ultrassonografia da sola do pé, onde o ortopedista constata uma hiperextensão ou ruptura das fibras da fáscia. É importante realizar esse exame pelo fato de haver outros problemas com sintomas parecidos, como inflamação do tecido adiposo do calcanhar, fratura por estresse no calcâneo, entre outros.
Seu tratamento é controverso. Inicialmente, todos os especialistas recomendam o tratamento da inflamação, com o uso de anti-inflamatórios via oral, spray local e aplicação de gelo.
Alguns médicos recomendam repouso absoluto, utilizando-se de palmilhas caríssimas especiais, feitas sob medida, para uso nos dia-a-dia. Outros já recomendam somente redução nos níveis de intensidade e volume de treinamento, mudança de tipo de piso (normalmente areia ou grama) e indicam o tênis adequado ao tipo de pisada do atleta.
Porém, é na indicação do alongamento da fáscia plantar que está a maior controvérsia.
Eu, atleta que lhes escrevo, tive fascite plantar. Sofri por alguns meses com esse problema. Procurei dois médicos. O primeiro me indicou anti-inflamatórios via oral, a tal palmilha caríssima especial, mandou parar com todo tipo de corrida e até com o ciclismo, podendo somente nadar. E me indicou também uma série de alongamentos da fáscia plantar e da panturrilha. Parei de correr e de pedalar, tomei os anti-inflamatórios e fiz todos os alongametos indicados (mas não comprei a palmilha caríssima especial). Resultado: a “pedrinha” no calcanhar se tornou um pedregulho.
O segundo médico também indicou os anti-inflamatórios, gelo local e uma palmilha simples, para ser usada no dia-a-dia (e que custou 5 vezes menos que a outra). Indicou também uma série de exercícios para fortalecimento da musculatura dos pés e das pernas. Disse que eu poderia continuar a correr, mas somente em pisos macios e com tênis que controlassem a pronação. Não me passou qualquer tipo de alongamento, dizendo que isso deveria ser feito somente após a total cicatrização da fáscia, como prevenção a uma nova inflamação. Resultado: em 15 dias eu estava curado, treinando normalmente.
Procure um médico ortopedista especialista em esporte. E procure uma segunda opinião. Até uma terceira se for necessário.
A fascite, ao contrário do que dizem, tem cura. E rápida.
O alongamento deve ser realizado como prevenção, e não como forma de tratamento. Não há necessidade de se investir numa palmilha ultra-cara. Há diversos tênis que corrigem a pronação dos pés sem cobrarem mais por isso.
O fortalecimento da musculatura dos pés e da perna – principalmente da panturrilha e da região anterior – também são essenciais para se prevenir a fascite. Com essa região fortalecida, a planta dos pés não “desaba”, impedindo a hiperextensão da fáscia.
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