4ª Jornada Santista de Treinamento de Força

Novembro 15, 2008

treinamento-de-forca

Maiores informações:

http://www.informaluiz.com.br/por/default.asp

4ª Jornada Santista de Treinamento de Força 2008

DATA: 05 e 06 de Dezembro de 2.008.

HORÁRIOS:
13h30min às 20h30min (sexta-feira)
08h15min às 12h00min – 13h15min às 19h30min (sábado)

LOCAL: Rua José Cabalero Nº15 – Gonzaga, Santos, SP. (Auditórios I e II)
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NÚMERO DE VAGAS LIMITADAS
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A QUEM SE DESTINA
Profissionais e acadêmicos de Educação Física, Medicina, Fisioterapia e Nutrição.
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PROGRAMAÇÃO OFICIAL DAS PALESTRAS

AUDITÓRIO II

DIA 05 DE DEZEMBRO DE 2008 (Sexta-feira)

PALESTRA 01
19h00 – 20h30 TREINAMENTO RESISTIDO PARA IDOSOS.

Prof. Dr. José Maria Santarém Sobrinho
Médico fisiatra e reumatologista; Doutor em Medicina pela USP; Coordenador do Centro de Estudos em Ciencias da Atividade Física da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP.Diretor do Instituto Biodelta – Aplicação, Ensino e Pesquisa do Treinamento Resistido

AUDITÓRIO II

DIA 06 DE DEZEMBRO DE 2008 (Sábado)

PALESTRA 02
08h15min – 10h00 TREINAMENTO DE FORÇA PARA MULHERES

Prof. Ms. Dilmar Pinto Guedes Junior
Mestre em Ciências da Saúde – UNIFESP; Docente da FEFIS-UNIMES e FEFESP-UNISANTA; Membro do Centro de Estudos de Fisiologia do Exercício – CEFE/UNIFESP; Autor de vários livros.

PALESTRA 03
10h15min – 12h00 TREINAMENTO DE FORÇA E CONTROLE POSTURAL

Prof.Dr. Jose Angelo Barela
Doutor e Ph. D. em Motor Development pela University of Maryland System -UMS/EUA; Mestre em Educação Física na área de Ciências do Movimento Humano – UFRGS; Docente da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e da UNICSUL;Revisor e membro de corpo editorial de inúmeras revistas; Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 1A; Possui publicado inúmeros artigos científicos em revistas internacionais e nacionais

Intervalo de almoço

PALESTRA 04
13h15min – 15h00 TREINAMENTO DE FORÇA NO ESPORTE COLETIVO

Prof.Dr. Antonio Carlos Gomes
Doutor em Teoria e Metodologia da Educação Física e Desportos – ANCFR/Rússia; Diretor Científico do Clube Atlético Paranaense; Docente de cursos de Pós-Graduação da UNIFESP; Autor de vários livros na área da Educação Física e dos Desportos

PALESTRA 05
15h15MIN – 17h00 TREINAMENTO RESISTIDO NO DIABETES E NA HIPERTENSÃO

Profª. Drª. Katia De Angelis
Pós-Doutorado no laboratório de Hipertensão da InCor-HCFM USP – Wright State University (Dayton, USA), INCOR/WSU, Brasil; Doutora em ciências biológicas (Fisiologia) – UFRGS
Docente da Universidade São Judas Tadeu e UNIFESP; Pesquisadora e colaboradora- Laboratório de Hipertensão – InCor; Possui publicado inúmeros artigos científicos em revistas internacionais e nacionais.

PALESTRA 06
17h15min – 19h00 AJUSTES FISIOLÓGICOS PRODUZIDOS PELO TREINAMENTO SISTEMÁTICO DE FORÇA

Prof.Dr. Enrico Fuini Puggina
Doutor em Educação Física – EEFE/USP; Mestrado em Educação Física – UNIMEP; Estágio no Departamento de Medicina, Divisão de Endocrinologia da Uniformed Services University of the Health Sciences, Bethesda, Maryland – EUA; Possui publicado inúmeros artigos científicos em revistas internacionais e nacionais.

PALESTRA 07 Gratuita
19h15min – 19h50min AVALIAÇÃO FÍSICA E MONITORAMENTO NO TREINAMENTO DE FORÇA.

Prof. Ms. Luiz Antonio Domingues Filho
Mestre em Educação Física, área de Performance Humana UNIMEP; Especialista em Administração, Engenharia e Marketing Desportivo – UGFRJ; Técnico de esporte de alto rendimento; Autor de vários livros.
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PROGRAMAÇÃO OFICIAL DA SESSÃO CIENTÍFICA

APRESENTAÇÃO ORAL OU EM PÔSTER

AUDITÓRIO II
Dia 05/12/2008 (sexta-feira)
13h30min as 19h00min

AUDITÓRIO I
Dia 06/12/2008 (sábado)
08h30min às 12h30min e das 13h30min às 19h30min
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INVESTIMENTO
Para facilitar sua inscrição, oferecemos a opção de compra da programação das seguintes formas:

À VISTA

Valor das 06 PALESTRAS
R$ 110,00 de 01/07/08 até o dia 28/11/08
R$ 120,00 de 29/11/08 até o dia 04/12/08
R$ 130,00 no evento (caso haja vagas).

Valor individual de cada PALESTRA
R$ 40,00 de 01/07/08 até o dia 04/12/08

Valor de cada trabalho / RESUMO: ORAL ou PÔSTER
R$ 80,00 de 01/07/08 até o dia 28/11/08

As inscrições poderão ser pagas por DINHEIRO ou CHEQUE através de DEPÓSITO BANCÁRIO, TRANSFERÊNCIA ELETRÔNICA ou PESSOALMENTE na In Forma.
Caso prefira pagar a inscrição através de BOLETO BANCÁRIO ou CARTÃO DE CRÉDITO(Visa, Mastercard ou Diners), acesse os websites: www.treinoonline.com.br ou www.ativo.com
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CONTA PARA DEPÓSITO BANCÁRIO OU TRANSFERÊNCIA ELETRÔNICA
Banco Itaú
Agencia 610 – Conta corrente 38028-9
Favorecido: Luiz Antônio Domingues


faça seus treinos na pista de atletismo

Novembro 11, 2008

100m starts

Quem já corre e pretende melhorar seu tempo, é essencial realizar treinos de velocidade. E nada melhor que fazê-los na pista de atletismo.

O Brasil possui excelentes pistas, algumas de nível internacional, com os mesmos materiais empregados nas pistas de Pequim - onde foram realizadas as Olimpíadas - e nas da Europa e América do Norte.

A maioria das pistas são abertas ao público. Confira todas as pistas oficiais registradas pela Confederação Brasileira de Atletismo (Cbat):

:: Acre
Ginásio Rui Lima do Nascimento – Rio Branco

:: Distrito Federal
Estádio de Atletismo Geração Campeã – Brasília

:: Minas Gerais
Estádio Adhemar Ferreira da Silva – Belo Horizonte

:: Paraná
Pista de Atletismo Professora Maria da Conceição Silva – Maringá
Estádio Daniel Albach Tavares – Ponta Grossa
Pista de Atletismo Professor Caldeira – Curitiba
Pista do Centro Universitário Positivo – Curitiba

:: Pernambuco
Centro de Educação Física, Desporto e Lazer Alberto Santos Dumont – Recife

:: Rio de Janeiro
Estádio Célio Negreiros de Barros – Rio de Janeiro
Centro de Excelência Olímpica do Campo dos Afonsos – Rio de Janeiro
Estádio Capitão Cláudio Coutinho – Rio de Janeiro
Estádio Adhemar Ferreira da Silva – Rio de Janeiro
Pista de Atletismo Robson Caetano – Araruama

:: Rio Grande do Sul
Estádio José Carlos Daudt – Porto Alegre
Estádio Sport lub Ulbra – Canoas
Pista de Atletismo do Complexo de Desporto e Lazer da Unisinos – São Leopoldo

:: Roraima
Vila Olímpica Roberto Marinho – Boa Vista

:: Santa Catarina
Fundação Municipal de Esporte – Itajaí

:: São Paulo
Centro Educacional Roberto Dick – Cubatão
Pólo Esportivo e Cultural Leopoldo Estásio Vanderline – Praia Grande
Estádio Radialista Osmar Santos – São Caetano do Sul
Pista de Atletismo do Esporte Clube Pinheiros – São Paulo
Centro Olímpico Maria Zefeina Rodrigues Baldaia – Sertãozinho
Pista de Atletismo Governador Mario Covas – Presidente Prudente
Conjunto Poliesportivo Milton Fenley Azanha – Americana
Estádio Municipal Dr. Adhemar de Barros – Araçatuba


Pesquisa indica que alongamento pode causar perda de força

Novembro 10, 2008

alongamento-beneficiosA idéia de que o alongamento é benéfico ao desempenho sofreu mais um golpe

Um estudo da Universidade de Nevada (EUA) mostrou que os exercícios para alongar mais utilizados, chamados estáticos, além de não garantirem a prevenção de lesões, causam perda de força nos membros inferiores.

Publicado na edição de setembro do periódico “Journal of Strength and Conditioning Research”, o estudo foi feito com atletas de alto desempenho. Divididos em grupos, os participantes realizaram alongamentos estáticos (extensão de um grupo muscular mantida por 20 a 30 segundos), alongamentos dinâmicos (extensão de grupos musculares em sentidos opostos em movimentos contínuos) e nenhum tipo de alongamento. Em seguida, realizaram exercícios de salto e flexão do joelho. Com um aparelho, foi medida a força muscular nas pernas.

O grupo que fez alongamento estático apresentou maior perda de força muscular; em menor grau, os que fizeram o alongamento dinâmico também perderam força nas pernas, algo que não aconteceu com os participantes que não realizaram nenhum exercício para alongar os músculos.

É a pedra de cal para a indicação do alongamento pré-exercício? Ainda não. Bill Holcomb, um dos autores do estudo, diz que aumentar a flexibilidade é importante para reduzir lesões, mas que os alongamentos estáticos devem ser feitos depois –e não antes– do exercício.

Holcomb também sugere uma alternativa pré-exercício: atividades para aquecer o corpo todo (como realizar um trote leve) combinadas com movimentos do alongamento dinâmico por um curto espaço de tempo (cerca de dez minutos). Porém, para atividades que exigem o uso máximo da força muscular (como salto em distância), ele desaconselha qualquer alongamento.

O esquema proposto é sustentado por outro estudo, dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA. Apresentada em julho, a pesquisa, com 1.435 atletas de futebol feminino, mostrou que a realização de aquecimento combinado a alongamentos dinâmicos reduziu quase à metade as lesões de joelhos.

Polêmica

Paulo Zogaib, professor de medicina esportiva da Universidade Federal de São Paulo, acredita que estudos como o que mostra perda de força muscular podem ser válidos para atletas de alto desempenho, mas não teriam grande influência para esportistas amadores.

Para ele, é importante ressaltar o papel do aquecimento antes do alongamento. Embora preconizado por especialistas e professores de educação física, são poucos os praticantes que seguem a recomendação.

“Aumentar a temperatura corpórea é necessário para produzir energia para a contração muscular e promover uma redistribuição do fluxo sanguíneo, privilegiando os músculos que serão utilizados”, diz.

Zogaib também considera controverso o alongamento dinâmico. “Os movimentos ativam todas as estruturas musculares, deixando-as de uma forma mais próxima da que o corpo vai usar na atividade seguinte. Porém, como opõem extensões com contrações, aumentam o risco de lesão se não forem feitos corretamente.”

Ricardo Munir Nahas, diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, considera que o alongamento dinâmico pode ser arriscado e deve ser praticado sob supervisão por quem tem pouca experiência. O mais importante, para ele, é manter o bom senso. “Alongar não dói. Se isso acontecer, é porque a pessoa está na posição errada ou ultrapassando os limites.”

Mara Patrícia Traina Chacon-Mikahil, professora de educação física da Universidade Estadual de Campinas, acha o alongamento dinâmico interessante quando prepara o corpo para uma atividade que combine extensões e contrações de grupos musculares opostos, como vôlei ou futebol. “A vantagem é possibilitar uma ativação neuromuscular ao mesmo tempo em que ajuda a promover o aumento do metabolismo, preparando melhor o corpo para o esforço.”


Princípios do Treinamento para Saltadores: Implicações para o Desenvolvimento da Força Muscular

Outubro 18, 2008

Nelio Alfano Moura & Tania Fernandes de Paula Moura (Brasil)
Trabalho apresentado durante o I Congresso Sul-americano de treinadores de Atletismo. Manaus, 2001

Publicado (em inglês) em New Studies in Athletics, 16(04):51-61, 2001

.:Introdução:.

O histórico bom desempenho dos saltadores brasileiros tem contribuído para o domínio de nosso atletismo na área sul-americana. Embora não tenhamos atingido o nível de popularidade que gostaríamos, com um número muito baixo de jovens envolvidos com o esporte em comparação com nossa gigantesca população, temos sempre desenvolvido saltadores de elite mundial.
Essa tradição remonta aos anos 50, com Adhemar Ferreira da Silva, um dos maiores triplistas da história. Adhemar foi seguido por Nelson Prudêncio e João Carlos de Oliveira, e são raros os países no mundo que podem se orgulhar de terem produzido três recordistas mundiais no salto triplo. Apesar de não termos desenvolvido outros saltadores dessa categoria desde João Carlos, são dignos de nota Anísio Silva (7º no Mundial de 93), Nelson Ferreira Junior (5º no Mundial de 97, no salto em distância) e Maurren Higa Maggi (líder do ranking mundial em 99 no salto em distância). A tradição no salto triplo está prestes a continuar, com o jovem Jadel Gregório, que acaba de saltar 17,13m. No salto em distância, temos um atleta ainda mais jovem, Thiago Carahyba Dias, que aos 17 anos tem saltado entre 7,60m e 7,70m..
Tendo a oportunidade de trabalhar, juntamente com a Profª Tania Moura, com alguns dos atletas citados acima, estou convencido que esses resultados recentes não têm sido obtidos por acaso. Considerando as restrições de espaço e tempo, procurarei apresentar um esboço dos princípios que têm guiado a preparação a longo prazo dos saltadores de nosso grupo, e suas implicações para o treinamento da força muscular.
.:Organização do Treinamento a Longo Prazo:.

Acredito firmemente na afirmação de que são necessários de 8 a 10 anos de treinamento para desenvolver um atleta de alto nível. A fim de ser considerado um atleta de alto nível, não basta realizar um grande salto. É preciso ser consistente. Seguindo essa definição, Maurren Maggi pertence a esse grupo. Por outro lado, Jadel Gregório, que em março saltou o que era na época a melhor marca do mundo do ano (17,13m), tem como segunda melhor marca pessoal 16,48m. Assim, é claro que, embora bem dotado, tem ainda um longo caminho a percorrer até estabilizar seus resultados acima dos 17 metros.
A fim de garantir o sucesso futuro, devemos planejar toda a carreira do atleta. Isso é mais fácil quando a dividimos em fases, como se vê na Figura 1 e Tabela I.

Figura 1. Representação esquemática das etapas de formação do atleta. Baseado em THUMM (1987), GAMBETTA (1986), PILA-TELEÑA (s/d) e THOMPSON (1991).

FASE IDADE DE INÍCIO DURAÇÃO OBJETIVOS E CARACTERÍSTICAS
INICIAÇÃO ESPORTIVA
Etapa I: Fundação
Etapa II – Treinamento Básico
9 a 11 anos (pré-púberes)
Etapa I
12 a 13 anos (púberes)
Etapa II
4 a 5 anos · Aquisição da técnica básica de diferentes disciplinas
· Desenvolvimento da auto-imagem
· Experiências Gerais de Movimento
· Multilateralidade
· Jogos, Atividades lúdicas
· Competições adaptadas
ESPECIALIZAÇÃOINICIAL 14 a 15 anos 3 a 4 anos

· Refinamento das técnicas
· Desenvolver comportamento adequadofrente à competição
· Opção por um grupo de provas
· Maior formalidade das competições

ESPECIALIZAÇÃOFINAL 18 a 20 anos 3 a 4 anos

· Grande domínio da técnica fina
· Opção por uma especialidade
· Freqüência e intensidade do treinamentoe das competições aumentadas

ALTO NIVEL 21 a 24 anos Indeterminada

· Realização do potencial coordenativo, condicionante e psicológico, expresso pelaobtenção de rendimentos de alto nível

Tabela I: Etapas da Formação do Atleta.
Baseado em THUMM (1987), GAMBETTA (1986), PILA-TELEÑA (s/d) e THOMPSON (1991).

.:Organização do Ciclo Anual:.

Desde os anos 60, periodização tem sido considerado o meio mais efetivo de organizar o ciclo anual de treinamento. Atualmente, encontramos diferentes propostas de organização, cada uma delas muito difícil de ser validada cientificamente. O que considero importante é selecionar princípios e conceitos sólidos e tomar as decisões baseado neles. Apesar de todas as discussões vistas entre os teóricos do treinamento desportivo, algumas afirmações parecem convencer à maioria:

· Atletas de alto nível devem se submeter a treinamento específico durante toda a temporada. Quando falamos a respeito de saltadores, essa especificidade inclui a escolha dos melhores exercícios, considerando o tipo de força e os objetivos a serem atingidos (Figura 2);
· Treinamento geral pode atrapalhar o desenvolvimento das capacidades especiais. Portanto, atletas de alto nível não devem tentar desenvolver suas capacidades gerais além de um nível que seja absolutamente necessário (por exemplo, força máxima – uma capacidade geral para saltadores – não guarda relação com desempenho em saltadores de alto nível, e quando é enfatizada por mais de 8 semanas consecutivas provoca queda do rendimento em testes de força explosiva e reativa);
· A prescrição e o controle do treinamento levando em conta o volume do trabalho realizado tem tido sua importância superestimada. Os valores propostos geralmente encontrados na literatura são muito altos para serem realizados com qualidade e segurança em um ambiente livre de drogas;
· Maior ênfase deve ser dado à qualidade do treinamento, o que faz com que a monitoração dos atletas enquanto realizam exercícios especiais seja fundamental. Não há problema se um atleta de alto nível – que possui uma grande habilidade para explorar suas capacidades especiais a cada repetição de um determinado exercício – realizar um menor número de repetições que um atleta em desenvolvimento, desde que a monitoração mostre que a qualidade caiu a um nível abaixo do desejado;

Figura 2: A importância da especificidade durante o treinamento de força. O agachamento foi o exercício de treinamento. Modificado de FAHEY (1998).

· As fases da forma desportiva (aquisição, manutenção e perda planejada) podem ser repetidas muito mais freqüentemente do que se pensava no passado. A estrutura formal com dois períodos competitivos com localização rigidamente determinada tem sido abandonada. Ciclos curtos são melhores que ciclos longos (TSCHIENE, 1989) para prevenir o over-training e a estagnação do rendimento provocada pelo fenômeno da adaptação completa.
A Figura 3 mostra um modelo de periodização com elementos da estrutura de blocos, que tenho usado como base para organizar o treinamento anual de saltadores.

Figura 3: Organização do treinamento baseada no modelo de blocos. Modificado de COMETTI (1991)

.:Força Muscular nas Provas de Saltos no Atletismo:.

Força Muscular é uma expressão que tem sido usada para definir a capacidade do músculo esquelético produzir tensão, força e torque máximos, a uma dada velocidade. A tensão gerada pelo músculo tende a provocar alguma mudança em seu comprimento, e consequentemente a alteração dos ângulos articulares, possibilitando assim o movimento. É um fator determinante do desempenho nos saltos, e dependendo de sua interação com velocidade ou resistência, pode se manifestar de maneiras muito diferentes (Figura 4). Nas provas de saltos, as manifestações mais importantes são chamadas de força explosiva e força reativa, embora níveis adequados de resistência de força e de força máxima também devam ser desenvolvidos em determinados períodos de treinamento, seja para fornecer os pré-requisitos para o posterior desenvolvimento das manifestações especiais, seja atuando preventivamente contra o aparecimento de lesões.

Figura 4. Modelo das relações entre velocidade, força e resistência. Reproduzido de NEUMANN (1988).

Embora ainda seja comum a organização do treinamento de força considerando a seqüência resistência de força – força máxima – força explosiva (talvez uma herança das abordagens quantitativas de organização do treinamento), novos estudos têm demonstrado que a transformação das adaptações do treinamento de resistência de força ou de força máxima em direção à força explosiva não se dá de maneira tão direta quanto se pensava antes. Na verdade, quando os estímulos para as manifestações de resistência de força ou de força máxima duram por mais do que oito semanas, efeitos negativos sobre o desempenho em testes de força explosiva (BOSCO, 1985) ou mesmo na microestrutura muscular (WIEMANN & TIDOW, 1995) já podem ser notados. A esse respeito, ANDERSEN, SCHJERLING & SALTIN (2000) afirmam que quando o músculo é submetido a treinamento pesado por mais de um mês, as fibras IIb se convertem totalmente em fibras IIa, ao mesmo tempo em que ficam maiores. Quando o treinamento pesado é interrompido, há uma reconversão das fibras IIa para IIb, porém seguindo uma curva semelhante à da supercompensação: indivíduos que possuiam 9% de fibras IIb antes do treinamento pesado, tiveram esse valor reduzido para 2% após três meses de treinamento, sendo que depois de um período de detraining também de três meses a porcentagem de fibras IIb aumentou para 18% (Figura 5).

Figura 5: Reconversão das fibras tipo IIa para fibras tipo IIb após a interrupção do treinamento com cargas elevadas. Reproduzido de ANDERSEN, SCHJERLING & SALTIN (2000).

Esses dados vistos em conjunto são muito interessantes, e justificam o uso do treinamento pesado por seis a oito semanas no primeiro ciclo de treinamento, bem como a inclusão de breves períodos (2 a 3 semanas) de treinamento de força máxima ao longo do ano. A grande redução no volume e intensidade de treinamento nas etapas de pré-competição e competição também encontram respaldo na constatação de que essa conduta proporciona a reconversão das fibras para o tipo de contração mais rápida. O método complexo (contraste) tem aumentado muito sua popularidade entre saltadores, e a maioria dos programas de treinamento com pesos que utilizo fazem uso de seus princípios. Esse método busca aumentar a probabilidade de que ocorra a transferência do efeito do treinamento para uma situação real de competição, jogando com o sistema nervoso central pela variação do tipo e intensidade de estímulo. BOSCO (1985b) propôs o conceito da hipergravidade no treinamento de saltadores. Recentemente, SANDS e colaboradores (1996) replicaram os estudos de Bosco, e seus dados parecem confirmar que o uso cotidiano de roupas especiais com cargas adicionais podem trazer benefícios importantes para o rendimento em provas de potência.
Recrutamento das unidades motoras no treinamento da força e potência musculares (Princípio de Henneman e suas exceções)

Tem sido claramente demonstrado que o recrutamento das unidades motoras durante a maioria das solicitações musculares obedece um padrão onde primeiro são recrutadas as unidades menores (compostas por fibras tipo I), que têm um limiar de ativação mais baixo. Quando a intensidade da ação muscular é muito alta, progressivamente são integradas ao pool de unidades recrutadas aquelas de maior dimensão (compostas por fibras tipo II). Mesmo nos momentos iniciais de uma solicitação máxima, embora as fibras tipo II sejam capazes de produzir forças maiores, as primeiras a serem recrutadas são as fibras lentas (Figura 6). Há, no entanto, exceções a esse princípio, muito importantes quando lidamos com treinamento desportivo.

Figura 6: Princípio de Henneman. Reproduzido de SALE (1992)

BOSCO (1985a) verificou uma relação negativa entre desenvolvimento das capacidades de força máxima e de força explosiva em atletas italianos de alto nível, especialistas em provas de saltos no atletismo. Embora não recomende a eliminação completa desse tipo de treinamento na preparação de atletas especialistas em provas de potência, ele sugere uma limitação na duração do período devotado à força máxima (no máximo 8 semanas). Sua argumentação é justamente centrada no recrutamento dos diferentes tipos de unidades motoras: após 8 semanas de treinamento, já começam a se consolidar alterações estruturais no músculo indesejáveis para a expressão da capacidade de força explosiva. A hipertrofia das fibras tipo I se colocariam como um obstáculo ao rendimento de alto nível (Figura 7). Antes que essas alterações ocorressem de maneira importante, outros métodos de treinamento que estimulassem preferencialmente as fibras tipo II (particularmente as do tipo IIb) deveriam substituir os métodos usados para o desenvolvimento da força máxima. Tem sido demonstrado que atividade excêntrica de alta intensidade apresenta um padrão de recrutamento que é exatamente o oposto ao citado acima, o mesmo ocorrendo com atividades balísticas treinadas. Ao que parece, há um recrutamento preferencial das fibras tipo II, devido a seu menor tempo de relaxamento, necessário para um melhor controle muscular durante ações excêntricas (HOWELL, 1995). Treinamento pliométrico é um dos meios que podem melhorar a força e potência musculares com recrutamento seletivo das fibras tipo IIb.

Figura 7. Interação entre a produção de força por fibras rápidas e lentas durante esforços dinâmicos e estáticos. Reproduzido de BOSCO (1985a).

Respostas e adaptações ao treinamento da força e potência musculares

Tem sido demonstrado que o treinamento da força muscular provoca rápidos ganhos em seu início, sem que se observe um concomitante aumento de massa muscular (Figura 8). Essa adaptação inicial pode ser explicada pela melhoria nos padrões de recrutamento das unidades motoras, e pode ser chamada de adaptação neural (aprendizagem). O recrutamento seletivo de um maior número de unidades motoras (principalmente do tipo IIb), ativadas a uma maior freqüência, e de maneira melhor sincronizada, são os fatores neurais que permitem uma maior produção de força e potência musculares (SALE, 1992).

Figura 8. Adaptação neural e hipertrofia no desenvolvimento da força muscular. Reproduzido de SALE (1992).

Adaptações estruturais (Hipertrofia) ocorrem em um segundo momento, como resultado da exposição continuada ao treinamento da força muscular. Essa hipertrofia pode se dar de maneira seletiva (em determinados tipos de unidade motora, de acordo com o ênfase do treinamento), e pode ser resultado do aumento da quantidade de proteína não-contrátil (sarcoplasmática) e/ou contrátil (SIFF & VERKHOSHANSKY, 1998) (Figura 9).

Figura 9. Hipertrofia sarcoplasmática e miofibrilar. Reproduzido de ZATSIORSKY (1995).

Uma resposta interessante a contrações voluntárias máximas tem sido descrita na literatura como Facilitação Pós-Tetânica (SIFF & VERKHOSHANSKY, 1998; GÜLLICH & SCHMIDTBLEICHER, 1996). Quando um músculo realiza uma ação isométrica máxima por cerca de 5 segundos, experimenta nos primeiros minutos após essa ação uma diminuição na capacidade de gerar força explosiva. Em um segundo momento, porém, ocorre uma uma resposta facilitadora que lhe permite gerar força máxima em menos tempo em esforços dinâmicos. Estudos ainda são necessários para que se determine com segurança um protocolo de utilização das ações isométricas máximas durante o aquecimento em competições, mas essa é com certeza uma possibilidade animadora para qualquer atleta que participe em provas de potência.

Figura 10. Alturas de vôo (h) e tempos de contato (t) em salto em profundidade antes (linha tracejada) e após (linha cheia) 3 MVC (contrações voluntárias máximas). Reproduzido de GÜLLICH & SCHMIDTBLEICHER, 1996.

.:Pliometria:.

A partir da década de 60, tem existido uma ávida busca de meios e métodos de treinamento que possam aumentar a quantidade de energia armazenada e reutilizada pelo músculo durante o CEC. Os exercícios que exploram esse ciclo são chamados de exercícios pliométricos, e são definidos como aqueles que “ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação elástica, mecânica e reflexa” (MOURA, 1988). É interessante notar que existem determinados fatores que interferem no nível de potenciação, elástica e/ou reflexa, e que portanto modificam a capacidade de gerar trabalho positivo durante o CEC. Dentre esses fatores, os mais importantes parecem ser a amplitude e velocidade da fase excêntrica, bem como o tempo de transição entre as fases excêntrica e concêntrica (CAVAGNA, 1977). A situação mais favorável é a que combina pequena amplitude e grande velocidade da fase excêntrica com um tempo de transição entre as duas fases bastante curto.
Entre os exercícios pliométricos construídos para estimular o desenvolvimento da força explosiva dos membros inferiores destacam-se os saltos em profundidade, em suas inúmeras variações (Figura 11). Nesses saltos, o indivíduo efetua uma queda livre a partir de um plano elevado, e tão logo toque o solo procura executar um salto vertical máximo. Esses exercícios têm sido tão populares que chegam a ser considerados sinônimos de pliometria, o que parece não ser adequado (MOURA, 1988; CHU & PLUMMER, 1984).

Figura 11. Salto em Profundidade Tradicional (SPT).

A altura da queda nos saltos em profundidade representa a sobrecarga excêntrica, e é uma variável importante a ser manipulada durante o treinamento. Embora encontremos recomendações na literatura quanto a altura da queda que variam de 0.38m a mais de 2 metros (LUNDIN, 1985), o que tem sido mais aceito atualmente é que existe uma altura ótima de treinamento. NASSER (1990) afirma que testes de salto em profundidade são realizados na prática cotidiana por treinadores, que utilizam alturas de queda crescentes, a partir de 20 cm. O teste pliométrico é interrompido quando o atleta não for mais capaz de obter desempenhos pelo menos iguais ao obtido na altura anterior. A altura ótima de treinamento, então, é aquela que permite o maior salto vertical subsequente à queda livre. Essa interpretação tem sido aceita até hoje (BOSCO, 1985 a). A figura 12 mostra os resultados obtidos por uma saltadora de distância de elite internacional (recorde pessoal = 6.20 m) durante a realização de saltos em profundidade sem auxílio dos braços, com alturas de queda de 20, 40, 60 e 80 cm. Nessa situação, a altura de 60 cm pareceu representar a altura ótima de treinamento para o Salto em Profundidade Tradicional, e 80 cm para o Salto em Profundidade Modificado, para essa atleta em particular (MOURA, 1993). Há, no entanto, outras questões importantes que devem ser consideradas na eleição da altura ótima individual.

Figura 12. Altura do salto vertical obtida após diferentes alturas de queda livre, em duas condições de salto em profundidade, apresentadas por uma saltadora de distância de elite internacional (recorde pessoal = 6.20m), onde SPT = Salto em profundidade tradicional, e SPM = Salto em profundidade modificado.

A figura 13 mostra duas curvas de forças de reação do solo, geradas durante saltos em profundidade. A curva A foi gerada pela atleta citada acima, enquanto a curva B foi gerada por um atleta iniciante. Percebe-se que as curvas apresentam um formato muito diferente, sendo que o fator mais importante é a existencia de dois picos na curva do atleta iniciante. O primeiro desses picos, que não se verifica no caso da saltadora de elite, representa o pico das forças passivas, e apresenta grande potencial para causar lesões, sem contribuir significativamente para o desempenho, ao contrário do segundo pico, representante das forças ativas. A existência ou não do primeiro pico está associada ao toque do calcanhar no solo. Assim, se o indivíduo estiver tocando o calcanhar no solo após a queda livre, deve-se diminuir a altura de queda, ou mesmo adiar a introdução do salto em profundidade nos programas de treinamento (MOURA, 1994).

Figura 13. Curvas das forças de reação do solo durante a realização de saltos em profundidade, para uma atleta de nível internacional (A) e um atleta iniciante (B).

Embora o treinamento pliométrico não tenha a intenção de substituir o treinamento com pesos (na prática, os dois co-existem na tarefa de desenvolver a força especial de saltadores), suas variações seguramente são mais eficazes no desenvolvimento da RFD (rate of force development, gradiente de força) – um dos mais importantes componentes da força especial para essa população – do que o uso de pesos elevados (Figura 14).

Figura 14. Efeitos do treinamento de saltos e do treinamento com pesos elevados sobre a Força Máxima e o Gradiente de Força (RFD). Reproduzido parcialmente de SALE (1992).

Curva Força-Velocidade

São clássicos os trabalhos de Hill do início do século, que mostram a relação inversa entre força produzida e velocidade de encurtamento do músculo, seja ele isolado ou “in-vivo”. Na figura 15, vemos que essa curva pode ser reproduzida de maneira simples pelo uso de saltos verticais com diferentes cargas. Três saltadores de distância de elite nacional e internacional (recordes pessoais: 8,00m; 7,44m e 7,44m) realizaram testes de saltos verticais com cargas que variaram de 0 a 30 kg. Percebe-se claramente que a altura do salto diminui com o aumento da carga, o que é uma resposta absolutamente preditível. Uma observação atenta do gráfico, no entanto, nos mostra outras informações interessantes. Os atletas FRW e MRC aparecem em posições invertidas nos dois extremos da curva, o que indica que cada um deles tem características de força explosiva absolutamente distintas. Isso pode ser explicado por diferenças individuais, ou por diferentes orientações no treinamento. O treinamento, como se sabe, tende a deslocar cada ponto da curva para cima e para direita, mas pode também modificar o formato dessa curva, alterando algumas regiões e não outras (Figura 16). O acompanhamento individual longitudinal da evolução da curva força-velocidade pode mostrar se o treinamento está equilibrado ou se está privilegiando de maneira inadequada algum dos componentes (força e velocidade), permitindo ao treinador realizar as correções que considerar necessárias. O atleta RBS, embora com os menores valores em cada uma das condições, mostrou aparentemente a curva mais equilibrada dos três atletas, embora não se possa dizer no atual estágio de conhecimento se essa seria a mais adequada para atletas especialistas no salto em distância.

Figura 15. Curva força-velocidade de três atletas especialistas no salto em distância, construída a partir de testes de saltos verticais (explicação no texto).

Figura 16. Alterações no formato da curva força-velocidade, em dependência do tipo de estímulo. Modificado de KOMI & HÄKKINEN, 1988.Saltos em suspensão: o uso do método facilitado para a criação de um novo programa motor

RITZDORF (1998) é um dos autores que propõem a diminuição da carga durante a realização dos saltos como um estímulo para treinar o componente velocidade da força rápida. Segundo o autor, novos programas motores – predominantemente rápidos – podem ser formados com esse tipo de estímulo. Mesmo atletas predominantemente rápidos, mas sem um bom nível de força muscular, podem ter seus programas comprometidos quando não o treinam. Temos usado borrachas cirúrgicas atadas a cinturões de alpinismo para criar uma tração vertical positiva, que na prática diminui o peso do saltador, possibilitando tempos de contato bastante curtos durante a realização de exercícios de salto.

.:Conclusão:.

Há muitas propostas de organização do treinamento que parecem capazes de conduzir ao alto nível. Há, também, incontáveis meios e métodos para o desenvolvimento da força muscular de saltadores, todos também com o potencial de criarem as condições para o rendimento de alto nível. Não tive a pretensão de apresentar as melhores alternativas, apenas de mostrar como interpreto o conhecimento científico e metodológico atual e como os aplico na prática. Acredito que, mais importante do que se esmiuçar os procedimentos do dia-a-dia, é definir claramente os princípios e conceitos nos quais se acredita, e tomar então todas as decisões práticas baseado nesses princípios. Os princípios mais importantes citados aqui, e que eu gostaria que fossem lembrados ao menos para discussão, foram:

1. Ciclos curtos são melhores que ciclos longos na organização anual do treinamento;
2. Treinamento de força especial deve ser realizado durante toda a temporada, pois os efeitos do treinamento são absolutamente específicos;
3. A qualidade do treinamento (potência produzida a cada repetição) é muito mais importante do que seu volume (toneladas levantadas, ou número de saltos realizados).
.:Referências Bibliográficas:.

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Treinamento Especial da Resistência Muscular na Preparação Esportiva dos Corredores de Fundo Especialistas na Distância de 10.000 M

Outubro 18, 2008

Marcelo Augusti
CREF 006263 G / SP
Especialista em Fisiologia do Exercício (UNIFESP)
Especialista em Treinamento Desportivo (UNIFESP)
Diretor Técnico da Associação dos Corredores de Bragança Paulista / MR.Running
Contato: marceloaugusti@uol.com.br

RESUMO

A resistência muscular é a capacidade condicionante que determina o nível de preparação esportiva nas corridas de longas distâncias, sendo que o seu desenvolvimento específico ocorre por meio das tarefas do treinamento especial, que é caracterizado pelo regime de trabalho muscular em condições especiais. O aumento e manutenção de um elevado nível de velocidade de deslocamento às custas da alta capacidade oxidativa das fibras musculares ao exercício intenso e duradouro constitui o objetivo principal do LPET, onde a combinação racional do trabalho de força muscular e resistência cardiorrespiratória provoca as adaptações estruturais e fisiológicas nos sistemas orgânicos para a manifestação da resistência muscular nas condições específicas da competição. O artigo em questão aborda as implicações da resistência muscular no desempenho dos corredores de fundo e uma proposta de metodologia que assegure o desenvolvimento eficaz das condições especiais de treinamento com a conseqüente ampliação da capacidade do rendimento esportivo.

INTRODUÇÃO

Atualmente, a construção da forma desportiva, fundamentada num processo pluri-científico de longo prazo, nos leva em busca de novas estratégias de organização do treinamento e novos meios e métodos de preparação desportiva com maior potencial de estímulos 6.

Nesse contexto, o treinamento especial da resistência muscular deve ser entendido como a conseqüência natural do processo de aperfeiçoamento da forma esportiva e da busca pelo desempenho superior.

A partir da constatação da estabilização do VO2max nos corredores de fundo, mesmo após a aplicação de cargas de treinamento que alcançam um alto volume anual, o direcionamento da preparação esportiva nas modalidades cíclicas do desporto de resistência passa a ter como foco principal da pesquisa científica os aspectos da resistência muscular e sua influência no desempenho para as provas de longas distâncias 13.

Os debates à cerca do treinamento de força para o desempenho na corrida, apresentam uma variação de situações, cuja resposta ainda se encontra distante de uma conclusão definitiva.

Esses conflitos teóricos e filosóficos que se apresentam com as discussões sobre o treinamento de força (resistência a ser superada, a intensidade e freqüência do gesto esportivo e a duração do evento competitivo), dificulta a definição científica do que seja o treinamento específico de força e resistência cem regime especial 2.
Para a solução desse problema, foram apresentados os seguintes critérios para a elaboração de um plano de treinamento 11:

  • desenvolvimento dos pressupostos neuromusculares para promoção de uma velocidade de deslocamento elevada;
  • elevação da capacidade de resistência muscular específica por meio da ampliação das reservas energéticas e uma ampla participação das fibras musculares tipo I e tipo IIa;
  • criação das condições necessárias para a melhora do gesto técnico e de seu controle eficiente durante as condições de crescente fadiga;
  • construção da capacidade de mobilização dos atributos psicofísicos em condições de fadiga.

A análise desses critérios técnicos nos direciona em busca de um meio eficaz que estimule ao máximo a capacidade de resistência muscular e rendimento esportivo dos corredores de 10.000m, sendo esse o nosso maior desafio.

IMPLICAÇÕES DA RESISTÊNCIA MUSCULAR AO DESEMPENHO NA CORRIDA DE FUNDO

A resistência muscular depende em grande parte da capacidade do sistema cardiorrespiratório em absorver e transportar o oxigênio para as fibras musculares, em conjunto com a eficiência dessas mesmas fibras em utilizar esse oxigênio para a produção energética, via metabolismo aeróbio 13.

O alto desempenho nas modalidades cíclicas do desporto é a conseqüência direta do talento genético relacionado ao elevado nível da capacidade de resistência muscular, e também ao treinamento especial que atenda o desenvolvimento eficiente dessa capacidade 12.

Há uma transferência positiva da resistência cardiorrespiratória para a resistência muscular, sendo que o potencial motor do atleta é aprimorado a partir da capacidade oxidativa dos músculos, aumentando a velocidade locomotora cíclica, o que determina sua relevância para o ótimo desempenho atlético na corrida de fundo 3,9,12.

Considerando que a resistência muscular depende da interação dos fatores resistência cardiorrespiratória e força muscular para a sua manifestação, observamos que 3:

  • a resistência muscular é observada durante as repetidas contrações musculares que são sustentadas pela alta capacidade oxidativa das fibras musculares durante o exercício intenso de longa duração;
  • a resistência muscular, ao integrar os elementos da resistência cardiorrespiratória e da força muscular, apresenta dois componentes distintos e que se complementam: o componente anaeróbio e o componente aeróbio.

Nesse contexto, a resistência muscular ou endurance muscular local, é a conseqüência de inúmeros processos adaptativos que ocorrem nas fibras musculares, provocados pela aplicação de cargas de baixa a moderada intensidade, com elevado número de repetições correspondentes 8.
Portanto, o objetivo principal do treinamento especial da resistência muscular é aumentar a capacidade de resistir à fadiga de longa duração, melhorando a resistência aeróbia e anaeróbia, que resulta em adaptações específicas no sistema cardiovascular e metabolismo aeróbio local. A conseqüência é o aumento do suprimento de oxigênio e da energia e ampliação da capacidade de remoção do lactato, promovendo uma melhora específica da eficiência fisiológica 3.
A resistência muscular, como fator principal que determina a resistência ao trabalho de longa duração, é desenvolvida por meio da 12:

  • atividade muscular intensa que resulta do aumento da potência aeróbia máxima local;
  • redução do percentual das fibras musculares tipo IIb e aumento simultâneo das fibras tipo IIa;
  • desenvolvimento da capacidade oxidativa das fibras musculares, sendo observada pela menor concentração de lactato sangüíneo após as cargas do tipo aeróbio-anaeróbio;
  • especialização morfológica e funcional das fibras musculares, sendo representada pelo caráter local da adaptação ao treino de resistência muscular, possibilitando uma considerável ampliação da capacidade de ativação do potencial elétrico dos músculos durante o esgotamento;
  • adaptações no sistema cardiovascular a nível local que ampliam as condições das fibras musculares durante o trabalho duradouro. As respostas hemodinâmicas de caráter local e específico que se consolidam muito após o VO2max, somente ocorrem após a aplicação de cargas especiais e específicas, e não por meio do treinamento geral;
  • utilização eficaz e econômica do fornecimento de energia para o trabalho muscular intenso e de longa duração pela ativação do metabolismo dos lipídios (de alto valor energético). Além disso, o metabolismo da glicólise aeróbia ocorre em menor velocidade para um mesmo nível do consumo de VO2max, reduzindo a velocidade do esgotamento das reservas de glicogênio muscular e a formação do lactato;
  • alta potência aeróbia pelo índice do VO2max, pois representa a condição necessária para a oxidação dos lipídios; e do alto índice de limiar anaeróbio, considerado como fundamental para a manutenção da velocidade de deslocamento, sem provocar acúmulos consideráveis dos produtos do metabolismo anaeróbio nas fibras musculares.

A resistência muscular é a condição fundamental que determina o nível de velocidade de deslocamento cíclico nas modalidades de resistência, consistindo no elemento primordial para o desempenho nas corridas de fundo. Sendo assim, o treinamento especial apresenta uma condição específica e fundamental na preparação esportiva.

A preparação para as corridas de longas distâncias deve assegurar o desenvolvimento ótimo das possibilidades genéticas dos sistemas cardiovascular, respiratório e muscular por meio da organização dos meios de treinamento dispostos pelo método conjugado conseqüente, que significa que as cargas precedentes devem criar as premissas fundamentais para a aplicação das cargas posteriores, formando assim a estrutura especial que condiciona o aperfeiçoamento da capacidade orgânica de resistência em nível superior 12.

Isto significa que, anteriormente à aplicação do treinamento especial, a preparação do corredor deve atender as exigências da periodização. A variação dos meios e métodos de treinamento e a distribuição coerente das cargas gerais e específicas, conforme o avançar das etapas da preparação, promovem a elevação da capacidade orgânica e muscular, construindo o cenário ideal para o treinamento especial. Portanto, os treinos em circuito, o cross-country, a corrida em aclive, os saltos  e o trabalho de fortalecimento muscular geral, devem ser realizados anteriormente ao treinamento especial.

Essa aplicação seqüencial e otimizada dos meios de treinamento, provoca as adaptações fundamentais para a elevação do nível da resistência aeróbia, da resistência muscular e da interação racional de ambas, representada pela resistência específica à fadiga de longa duração 4.

O TREINAMENTO ESPECIAL

O treinamento especial que possibilita o desenvolvimento eficaz da resistência muscular consiste em atender a especificidade da preparação em força do corredor de longa distância.

Para o treinamento da capacidade de força que requer o desenvolvimento do componente resistência, o treinamento especial deve corresponder ao caráter específico da modalidade esportiva. Isto significa que a exigência da manifestação da força muscular na atividade competitiva é o resultado da interação das funções orgânicas com o gesto técnico da corrida, desenvolvido por meio de exercícios especiais de competição e pela preparação específica 10.

Como treinamento especial, entendemos como o último estágio da preparação imediata para a competição, que contribui com o maior potencial de treinamento para o desenvolvimento da resistência específica à fadiga de longa duração. Presume a interação ótima da resistência aeróbia com a força muscular, cujo elevado nível da resposta do trabalho muscular em regime especial, determina o desenvolvimento da resistência muscular, provocando adaptações fundamentais nas fibras musculares que promovem a manifestação da resistência específica à fadiga de longa duração.

O treinamento especial, portanto, promove o desenvolvimento paralelo da força muscular específica para o exercício intenso e duradouro (resistência muscular), com a velocidade de deslocamento no âmbito de sua elevação e manutenção.

Para o treinamento especial da resistência muscular, devemos observar os seguintes critérios técnicos 1,3,5,7,14,15:

  • determinar a duração / distância da prova;
  • fracionar essa duração / distância;
  • escolher os movimentos gerais interessantes para a modalidade;
  • elaborar o treinamento alternando o trabalho de força e resistência com gesto esportivo.
  • tensão muscular relativamente baixa;
  • cargas que representam de 10-40% da força máxima obtida pelo teste de 1RM;
  • duração do trabalho muscular de força compreendido entre 5-6 a 2-10 minutos;
  • elevado número de repetições que são realizadas de modo ininterrupto.

A diversidade de situações que se apresentam com o treinamento da resistência muscular (resistência a ser superada, a intensidade e freqüência do gesto esportivo e a duração do evento competitivo), dificulta a definição do que seja o treinamento específico de força e resistência 2.

Para a solução desse problema, foram apresentados os seguintes critérios 11:

  • desenvolvimento dos pressupostos neuromusculares para promoção de uma velocidade de deslocamento elevada;
  • elevação da capacidade de resistência muscular específica por meio da ampliação das reservas energéticas e uma ampla participação das fibras musculares tipo I e tipo IIa;
  • criação das condições necessárias para a melhora do gesto técnico e de seu controle eficiente durante as condições de crescente fadiga;
  • construção da capacidade de mobilização dos atributos psicofísicos em condições de fadiga.

Todos esses critérios servem como orientação técnica para a elaboração da proposta de metodologia de treinamento especial da resistência muscular que aqui apresentamos.

A METODOLOGIA DO TREINAMENTO

Para o treinamento especial da resistência muscular, apresentamos o método de preparação que denominamos de Leg Press Endurance Training (LPET).

O LPET consiste na realização do trabalho de força muscular de caráter aeróbio (endurance muscular), executado no aparelho leg press, alternando esses estímulos com a corrida fracionada em velocidade crescente, sem pausa entre o exercício local e a corrida.  O corredor passa de uma série de exercício para outra sem nenhum intervalo de recuperação.

O exercício no leg press permite a participação de grupos musculares importantes para o rendimento na corrida de longa distância, constituindo-se em um exercício de caráter geral e, ao mesmo tempo, específico, pois trata de desenvolver a resistência muscular à fadiga de longa duração que, como já visto, é fundamental para o sucesso nas provas de fundo.

A orientação da intensidade da corrida será pelos parâmetros da FC nas seguintes condições: de trabalho muscular 14:

  • FC 150-165 (regime aeróbio);
  • FC 165-180 (limiar aeróbio x anaeróbio).

O ritmo de execução no leg press está compreendido entre 60-90 repetições / minuto, realizadas de modo contínuo. A FC deverá estar compreendida entre 130-150, assegurando a manutenção do trabalho de força muscular em regime aeróbio 14.

A carga no LPET está compreendida entre 20-30% da força máxima obtida pelo teste de uma repetição máxima no leg press (1RM).

O LPET, embora necessite de maiores investigações científicas,poderá constituir-se num método confiável para o treinamento da endurance muscular dos corredores de fundo, apresentando-se como uma possível solução para os conflitos teóricos e a prática do treinamento que integram a metodologia da preparação de força dos corredores de fundo na atualidade.

O método LPET tem a sua base teórico-científica fundamentada nos seguintes pontos:

  1. a importância da resistência muscular como capacidade fundamental para a melhora da performance nas modalidades cíclicas do desporto 13;
  2. duração prolongada da série de exercício (número elevado de repetições) e velocidade de execução de moderada a rápida, sendo estes os componentes principais para o desenvolvimento da endurance muscular 8;
  3. interação entre exercício de caráter especial e exercício de caráter específico como modo efetivo para o desenvolvimento da resistência muscular própria da modalidade, sendo este o modo eficaz de aplicação do LPET 5.

Embora os autores citados não discorram especificamente sobre a questão em debate, entendemos que as informações advindas das pesquisas científicas sobre a preparação de força dos corredores, nos possibilitam a idealização de uma pedagogia que seja capaz de promover um novo entendimento metodológico sobre o tema em discussão, atendendo as necessidades específicas do desporto considerado.

O método LPET tem como objetivo o desenvolvimento da resistência muscular específica dos corredores especialista na distância de 10.000m em condições especiais do trabalho muscular, sendo aplicado em uma etapa complementar que denominamos como preparação especial.

Seguindo os critérios técnicos, apresentamos a estrutura fundamental do LPET, com seis variações para serem aplicadas nas sessões especiais do treinamento da resistência muscular (Tabelas I, II, III, IV, V e VI).

Em cada sessão do treino especial o corredor deverá ser estimulado a superar as exigências da sessão anterior, sendo que as sessões apresentam um caráter de contínua evolução. Decorre desse fato, a necessidade de programar treinos regenerativos, pois o LPET exige muita concentração, esforço físico e psicológico e grande dispêndio de energia.

A preparação em regime especial deverá ser realizada durante três semanas consecutivas, com duas sessões semanais destinadas ao LPET, intercaladas com treinos regenerativos e velocidade (fartlek).

Após a aplicação das cargas de treinamento especiais pelo LPET, é necessário um período regenerativo de, ao menos, duas semanas para que se observe o efeito acumulativo posterior do trabalho executado.

Esse período regenerativo tem como propósito a eliminação dos vestígios da fadiga acumulada durante o treinamento especial, preparando o corredor para o dia do evento principal.

O LPET deve ser precedido por uma corrida em ritmo confortável, com uma duração suficiente para efeito de aquecimento para o exercício principal. Ao final, faz-se uma nova corrida, em ritmo suave e em superfície macia seguido de exercícios para relaxamento muscular.

Segue a proposta que apresentamos para a estrutura dos microciclos da preparação especial para a distância de 10.000m (tabela A).

CONCLUSÃO

Em conclusão, podemos afirmar que a resistência muscular é o fator que determina o elevado nível de preparação específica para as corridas de longas distâncias.

Para o desenvolvimento máximo da capacidade de resistência muscular, o treinamento em regime especial de trabalho muscular condiciona o alcance de um elevado nível de preparação.

O treinamento especial, como complemento fundamental da preparação esportiva nas corridas de fundo, apresenta uma combinação racional e superior entre a resistência aeróbia e a força muscular, cujas adaptações decorrentes da integração e interação desses processos, permite o alcance de um elevado nível de resistência específica à fadiga de longa duração.

O LPET estimula o desenvolvimento da “força aeróbia / anaeróbia”, provocando respostas estruturais e fisiológicas que elevam a capacidade oxidativa das fibras musculares a um alto nível de condicionamento específico ao exercício intenso e duradouro.

Ainda que falte o amparo da pesquisa científica que consolide os pressupostos técnicos da metodologia apresentada, lançamos a base teórico-filosófica de uma pedagogia deverás eficaz, constituindo-se em objeto para futuras investigações que possibilitem novos avanços em relação à preparação em força dos corredores de fundo.

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O Treinamento da Velocidade para as Corridas de Fundo: Consideração sobre o Método Fartlek

Outubro 18, 2008

Prof. Marcelo Augusti
Técnico em Corridas de Fundo
Especialização em Fisiologia do Exercício e Treinamento Desportivo
(UNIFESP – Escola Paulista de Medicina)

Na preparação dos corredores de fundo de alto rendimento, a velocidade de corrida é um atributo essencial para as pretensões de qualquer atleta, seja em relação às vitórias ou aos recordes pessoais.

Embora o atleta que apresente rendimento diferenciado esteja submetido a um volume de treinamento elevado – acima de 160 km semanais – é primordial a preparação em velocidade desde a primeira semana do ciclo inicial da periodização para a temporada competitiva.

Essa atual tendência metodológica justifica-se pelo fato de o corredor de alto rendimento já apresentar as premissas fisiológicas necessárias para receber os estímulos provenientes de um ritmo de corrida mais intenso logo no início da preparação.

Os atributos apresentados pelos corredores de fundo de alto desempenho competitivo em sua modalidade e que constituem a base de sua formação atlética específica de longos anos são:

  • Elevado taxa de consumo de oxigênio (VO2max);
  • Alta capacidade para mobilizar ácidos graxos para a produção da energia para a ação muscular de longa duração;
  • Maiores reservas musculares de glicogênio;
  • Eficiência nas funções termorreguladoras do organismo;
  • Menor acúmulo de lactato em ritmos de corrida mais elevados;
  • Melhor padrão de recrutamento das fibras musculares para o desempenho de longa duração;
  • Manutenção econômica de um elevado ritmo de corrida (menor gasto energético);
  • Maior resistência psicológica à dor e ao sofrimento.

Essas características, próprias do atleta de desempenho superior, permitem que a velocidade de corrida seja treinada desde a primeira semana da preparação, pois o corredor encontra-se em uma situação tal que, caso isso não seja executado, a baixa intensidade dos estímulos (treinamento exclusivamente aeróbio), irá proporcionar uma redução da sua capacidade de velocidade, pois os padrões de recrutamento muscular serão descaracterizados.

As implicações decorrentes do fato alteram a seqüência das adaptações bioquímicas que ocorrem nos músculos dos corredores, tornando o atleta mais lento em suas ações motoras específicas.
Como o volume de treinamento é fundamental para o sucesso nos eventos de longa duração no atletismo, a tarefa principal a ser considerada na elaboração da estrutura do planejamento da temporada competitiva é conciliar o aumento do volume com a intensidade de corrida que seja compatível com a capacidade do atleta.

A abordagem desse processo pedagógico nos conduz à utilização dos meios de preparação proporcionados pelos métodos contínuos variáveis.

Os métodos contínuos variáveis se caracterizam pela variação do ritmo de execução do exercício (variações na velocidade de deslocamento), onde os esforços são realizados numa intensidade de 70-95% do esforço máximo do corredor, sempre alternando fases de intensidade elevada com corridas lentas.

Se analisados em sua essência metodológica, ou seja, estímulo-recuperação, os métodos contínuos variáveis constituem uma forma de trabalho muito semelhante aos métodos de direção descontínua da carga, citando como exemplo o interval-training.

Entretanto, ao lançarmos uma visão mais detalhada em sua forma de aplicação, serão reveladas as diferenças elementares sobre um e outro método, encerrando definitivamente qualquer semelhança entre os mesmos.

A finalidade do emprego dos métodos contínuos variáveis é o aprimoramento da utilização dos sistemas energéticos solicitados (aeróbio-anaeróbio), e acelerar a capacidade de recuperação entre os diversos ritmos de esforços empregados na corrida.

Dentre os meios de preparação mais difundidos pelos métodos contínuos variáveis, apresentamos o fartlek.

O fartlek

O fartlek, termo de origem sueca que significa “jogo de velocidade” foi desenvolvido na Suécia, na região de Volondalen, por Goesta Olander, na década de 30.

Nesse tipo de treinamento, o corredor determina a velocidade e a distância dos estímulos, conforme a sua percepção de esforço e condição física, percorrendo percursos variados com aclives, declives e obstáculos naturais, em meio aos bosques e trilhas pelas florestas.

Os estímulos fortes são intercalados com pausas onde o corredor realiza uma corrida lenta ou até mesmo uma caminhada, para a sua recuperação. A freqüência cardíaca apresentará variações entre 140-180 batidas por minuto nesse tipo de treinamento.

Da Suécia para o mundo, de Olander até Lidyard e Cerruty, o fartlek já foi empregado por renomados treinadores e corredores de alto rendimento, que dele souberam tirar o melhor.

Atualmente, encontramos inúmeros corredores utilizando-se desse método de treinamento, embora com variações significativas em relação à suas origens.

O fartlek, inserido no contexto do processo pedagógico de preparação nas corridas de fundo, deve ser empregado preferencialmente após a utilização dos métodos contínuos e anteriormente aos métodos descontínuos, estando em conformidade com as leis biológicas que permeiam a ciência do treinamento desportivo.

Assim sendo, no planejamento das ações pedagógicas da preparação do corredor fundista de alto rendimento, a seqüência metodológica ótima para o treinamento da velocidade durante os períodos da preparação, relacionado ao fartlek, seria:

  1. Treinamento Contínuo de Ritmo Invariável + Fartlek
    (Período de Preparação Fundamental)
  2. Treinamento Contínuo de Ritmo Progressivo + Interval-training
    (Período de Preparação Específica)

Com o advento da ciência do treinamento desportivo foram desenvolvidas novas configurações para o fartlek. Apresentamos abaixo três tipos de fartleks oriundos dessas novas tendências, além do tradicional, com as devidas considerações e exemplos práticos:·

  • fartlek tradicional, sendo que o corredor decide em que ritmos deve correr, quais as distâncias e / ou duração do estímulo e o tipo de terreno (de preferência, com muitas variações, ou seja, grama, terra, asfalto, areia, aclives, declives, planos, etc.), tudo de acordo com a sua disposição do momento. A duração do treino deve estar compreendida entre 40 min a 2 horas. Pode ser utilizado como recurso pedagógico para a quebra da rotina e para promover a recuperação do corredor após períodos de grande acúmulo de fadiga física ou mental, pois permite a execução do treino sem compromissos com tempo / distância;
  • fartlek orientado, onde as variações de distância e ritmo são orientadas pelo treinador, sendo utilizado nas semanas iniciais da preparação do atleta. Exemplo: 2 km corrida lenta + 4 séries de 1000m x 800m x 600m x 400m x 200m em ritmo acelerado intercaladas com 200-400m de corrida lenta + 2 km de corrida lenta;
  • fartlek especial, onde há uma combinação de corridas de diferentes distâncias e ritmos, com exercícios especiais (saltos, educativos, etc.). Exemplo: 3 km corrida lenta + exercícios educativos intercalados com 50m de corrida lenta + seqüência de saltos intercalados com 50-100m de corrida lenta + acelerações de 100-200m intercaladas com 50-100m de corrida lenta + acelerações de 400m-800m intercaladas com 200m corrida lenta + exercícios para resistência de força muscular intercalados com 50-100m de corrida lenta + acelerações de 1000-2000m intercaladas com 400-800m corrida lenta + 3 km corrida lenta;
  • fartlek líder, pela formação de grupos de corredores do mesmo nível de condicionamento, onde um deles será o responsável pelas acelerações intermediárias, sendo que os demais deverão ultrapassá-lo. O treinador deverá orientar em relação às distâncias utilizadas ou a duração do estímulo e aos momentos de aceleração. O objetivo do trabalho é condicionar os corredores às acelerações intermediárias que ocorrem durante as competições esportivas. Exemplo: 3 km corrida lenta + 12 km intercalando 800-1200m corrida acelerada com simulações táticas com 400-800m corrida recuperativa + 3 km corrida lenta.

O fartlek, conforme a sua orientação, pode ser realizado na pista de atletismo, em trilhas pelos campos e bosques e em terrenos variados, sendo os percursos em meio à natureza aqueles que oferecem maiores atrativos aos corredores.

Podemos considerar o fartlek como um meio amplo e eficaz para o aprimoramento da capacidade atlética dos corredores de alto rendimento nas provas de fundo do atletismo, pois, além de assegurar a manutenção do volume adequado do treinamento, proporciona meios para o aperfeiçoamento da velocidade e ritmo de corrida. Treina-se a velocidade, porém, com quilometragem.

É fundamental que os técnicos disponham de recursos variados para a ampliação da capacidade do ritmo de corrida de seus comandados, tendo o conhecimento necessário para a correta distribuição dos meios e métodos de treinamento ao longo das etapas da preparação.

O fartlek, se empregado com critério e em momentos oportunos, terá a sua eficiência comprovada.

Bibliografia Recomendada:

  1. BOMPA, T. Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento. 4a edição. São Paulo: Phorte, 2002;
    FORTEZA, A. Treinamento Desportivo: Carga, Estrutura e Planejamento. 1ª edição brasileira. São Paulo: Phorte, 2001;
  2. HEGEDUS, J. Estúdio de las Capacidades Físicas: la Resistência. Revista Digital: Educación Física y Deportes. Año 2, N° 7, Buenos Aires, Ouctubre, 1997;
    MACHADO, M. Fartlek Total. Revista Spiridon, ano 25, nº 149, 22-27, Portugal, jul/ago, 2003;
    PLATONOV, V. BULATOVA, M. A Preparação Física. Rio de Janeiro: Sprint, 2003;
    VERKHOSHANSKY, Y. Treinamento Desportivo: Teoria e Metodologia. Porto Alegre: Artmed, 2001.